sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

TURISMO DE BASE COMUNITÁRIA COMO ALTERNATIVA PARA A INCLUSÃO SOCIAL

Maria Clara Silva Machado & Luciana Bittencourt Villela

O Turismo como um fenômeno moderno e capitalista, estruturou-se a partir de um modelo de desenvolvimento excludente e promotor de desigualdades sócio-espaciais.

A atividade turística tem reproduzido ao longo dos anos as contradições do sistema econômico vigente, aguçando a lógica do capital, quando se apropria dos espaços e recursos naturais e culturais neles  contidos, transformando-os em atrativos, ou seja, em produto (OURIQUES, 2005, p. 93). 

Neste contexto, podemos afirmar que o espaço é entendido como produto e não como reflexo da ação da sociedade. Cabe aos planejadores e gestores do Turismo a proposição de políticas públicas substanciadas na mobilização e participação social e que se aproximem de um modelo mais equânime de desenvolvimento (CORIOLANO, 2003, p. 30).

Para uma melhor compreensão do Turismo, não apenas como um instrumento de geração de emprego e renda, mas, principalmente como uns elementos de integração dos indivíduos à vida social, devem considerar o espaço e o conjunto de práticas socioculturais como elementos de um processo sensível e importante desse desenvolvimento.

Considerando que a atividade turística é capaz de provocar profundas transformações na forma de apropriação e uso do espaço pelos grupos sociais, quando redefine as singularidades e reorienta os usos desse espaço, torna-se necessário a adoção de modelos que considerem as características endógenas como principal subsídio para a implementação de estratégias e ações (CORIOLANO, 2005).

Contudo, esta perspectiva apresenta-se bastante complexa, uma vez que, percebemos uma grande dificuldade na implantação de um modelo de desenvolvimento turístico alternativo* que tenha como alicerce os princípios de sustentabilidade (BURSZTYN, 2004). Esta dificuldade se revela com maior intensidade em regiões marcadas pela elevada fragilidade do poder político local, desigualdade social e baixo grau de organização social.

É possível retratar este fato no trecho apresentado por Luchiari sobre a implantação do megaprojeto do Complexo Turístico Sauípe, no litoral norte do estado da Bahia.  Segundo a autora,

o que vem ocorrendo nas comunidades litorâneas de um modo geral é a sobreposição da ocupação turística em detrimento da ocupação tradicional, a qual vai mais além, na medida em que toma “territórios” que possuíam um valor intrínseco como reservas  extrativistas, usos complementares da atividade doméstica ou mesmo como “cenário” significativo culturalmente, na sua maioria, sem oferecer alternativas para a população local (LUCHIARI apud FONTES E LAGE, 2003).   

Afirma, ainda, que a implantação de um projeto como este não pode ser justificada somente pela oferta de empregos, que não raramente caracterizam-se como subempregos, e sim por outros fatores que se constituem como indicadores de melhoria da qualidade de vida da comunidade. Porém, a inserção do Turismo com base neste modelo gera, via de regra, grandes transformações sócio-espaciais. Daí a necessidade de se propor um modelo mais harmônico e inclusivo.

Irving (1998) afirma que “o desenvolvimento da atividade turística qualificada de ‘sustentável’ exige a incorporação de princípios e valores éticos, uma nova forma de pensar a democratização de oportunidades e benefícios [...]” (p. 32). 

Esta proposta do desenvolvimento turístico proporciona aos diferentes segmentos da sociedade, que sejam incluídos no processo de planejamento,  operação e monitoramento, expressando suas idéias e receios, identificando seus interesses, suas necessidades e as formas com que esperam se beneficiar (NELSON, 2004, p.191). Com isso, devemos buscar a harmonia entre eqüidade social, eficiência econômica e conservação ambiental.

Um exemplo que se projeta neste sentido  é o do Projeto Integrado Conservação e Desenvolvimento de Mamirauá, no estado do Amazonas, o qual apresenta experiências recentes e inovadoras no que tange a inclusão das demandas sociais no manejo de Unidades de Conservação, através de práticas turísticas sustentáveis.

Outros exemplos referem-se às Reservas Extrativistas de Curralinho e Pedras Negras, situadas em Rondônia, que desenvolvem as ações de turismo considerando indicadores de sustentabilidade, como o primeiro empreendimento comunitário de Ecoturismo em Reservas Extrativistas na Amazônia financiado pelas instituições WWF (Fundo Mundial da Vida Selvagem) no Brasil, Ministério do Meio Ambiente, Governo do Estado de Rondônia e Universidade de Rondônia (BADIALLI, 2004, p. 90).

Considerando os dois modelos de desenvolvimento apresentados, podemos afirmar que os grandes projetos turísticos refletem um modelo desigual e excludente, e que de certa forma tem sido reforçado pelo Estado, orientados pelo interesse de grandes empresas internacionais. Em face disto, as iniciativas que propõem um desenvolvimento comunitário têm sido, em geral, representada pela soma de esforços de associações comunitárias, ONGs e Universidades que compreendem o Turismo como um fenômeno social e não apenas como transações de cunho econômico.

De acordo com MARCON & BARRETO (2004),

o Turismo contribuirá para a inclusão social quando todas as pessoas possuírem condições dignas de vida no seu cotidiano, em seus locais de origem. Para isso é extremamente importante a parceria entre os empresários do setor e o poder público, que deve estar preocupado com a melhoria da qualidade de vida e com o bem-estar social de sua comunidade.

Ao conjunto de decisões inter-relacionadas, definido por atores políticos, que tem como finalidade o ordenamento, a regulação e o controle do bem público caracteriza o que conhecemos como “políticas públicas” (LITTLE, 2003, p. 18).

Por meio da interação dessas políticas com as exercidas por cada setor da sociedade - público, privado e terceiro setor - tornar-se-á possível vislumbrar a inclusão social associada às práticas exercidas pelo Turismo com base local. Assim, haverá a possibilidade de se trabalhar o Turismo não como um produto acabado, fruto do capitalismo, mas como um fenômeno em contínua mudança e que permite à sociedade se reorganizar de forma a assegurar àqueles até então excluídos da dinâmica capitalista, a uma real possibilidade de inclusão social.     

Notas

* O termo alternativo refere-se a uma forma de desenvolvimento oposta ao modelo tradicional de Massa.

Referências Bibliográficas

BADIALLI, J. E. L. Unidades de conservação e o turismo sustentável no Brasil. In: NELSON, S.  P.; PEREIRA, E. M. Ecoturismo – práticas para turismo sustentável. Manaus: Valer,  2004. 

BURSZTYN, I.  et al. Programa de promoção do turismo inclusivo na Ilha Grande, RJ. In:  Encontro nacional do turismo com base local. 2004, Paraná: Curitiba.

CORIOLANO, L. N. M. A exclusão e a inclusão social e o turismo. Revista de Turismo y  Patrimônio Cultural. v. 3, n. 2, 2005.

CORIOLANO, L. N. M.; LIMA, L. C. Turismo comunitário e responsabilidades socioambiental. 1 ed. Ceará: EDUECE, 2003. 

FONTES, E. O. & LAGE, C. S. Apropriação do espaço pelo Turismo em Sauípe e seu impacto  no desenvolvimento local. In: CORIOLANO, L. N. M. T. et al. Turismo comunitário e  responsabilidade sócio-ambiental. Ceará: EDUECE, 2003. IRVING, M. A. Turismo e ética: premissa  de um novo paradigma. In: CORIOLANO, L. N. M.

Turismo com ética. 2 ed. Ceará: FUNECE, 1998.

LITTLE, P. E. Políticas ambientais no Brasil. 1 ed. São Paulo: IIEB, 2003. 

MARCON, E. M. G.; BARRETTO, M. O turismo como fator de inclusão social via desenvolvimento local. In: Encontro nacional do turismo com base local. 2004, Paraná: Curitiba.

NELSON, S. P.; PEREIRA, E. M. Ecoturismo – práticas para turismo sustentável. Manaus: Valer, 2004.

OURIQUES, H. R. A produção do turismo – fetichismo e dependência. In: OURIQUES, H. R. O turismo na periferia do capitalismo. São Paulo: Alínea, 2005.

Um abraço e até o próximo post!

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BARROCO MINEIRO – MESTRE DE PIRANGA

Barroco e Seu Esplendor

O Barroco Mineiro destaca se pela autonomia e originalidade, gerada pela diversidade cultural e adaptação das matérias primas e ferramentas utilizadas pelos artistas na realização de suas obras. Divide se em três fases sendo:

Arte barroca mineira de Ataíde – Igreja de São Francisco de Assis

  • Primeira Fase entre 1710 a 1760 Retábulo Nacional Português - colunas toras, profusamente ornamentadas com folhas de acanto, cachos de uva, aves entre outros, coroamento formado por arcos concêntricos, revestimento em talha dourada e policromia em azul e vermelho.

Exemplo desse período: Capela de Santana em Ouro Preto, 1720.

  • Segunda Fase entre 1730 a 1760 Retábulo Joanino – excesso de motivos ornamentais, com predominância de elementos escultóricos, coroamento com sanefas e falsos cortinados com anjos, revestimento com policromia em branco e dourado.

Exemplo desse período: Matriz de Nossa Senhora do Pilar em Ouro Preto.

  • Terceira Fase a partir de 1760 Retábulo Rococó - coroamento encimado por grande composição escultórica, elementos ornamentais baseados no estilo rococó francês com conchas, laços, guirlandas e flores; revestimento com fundos brancos e dourados nas principais partes.

Exemplo desse período: Igreja de São Francisco de Assis em Ouro Preto.

Esse período catalogou para Minas Gerais obras de grande valor econômico e histórico, que não são protegidas como deveriam, pois nas três últimas décadas totalizam mais de 430 peças barrocas mineiras roubadas de igrejas e museus.

Os artistas que compõem esse “catálogo” são variados destacando Aleijadinho, Athayde, Mestre Piranga, entre outros.

O Gênio Desconhecido do Barroco

O Mestre de Piranga viveu no século XVIII, na cidade de Piranga/MG, não é um artista conhecido popularmente, principalmente em sua cidade, mas entre os historiadores se destaca como importante escultor barroco e pela fácil identificação de suas obras.

Cristo morto de Mestre de Piranga

Considerado zombeteiro, desafiador e enigmático suas obras são caracterizadas por um domínio de forma quase clássico e interpretações quase expressionistas:

  • Olhos desnivelados, um mais baixo que o outro “vesgos”;
  • Cabeça menor que um sétimo do tronco;
  • Tipos físicos miscigenados do interior de Minas;
  • Ombros largos;
  • Formas circulares dos joelhos.

Na cidade em que viveu, Piranga, hoje, ele também é apenas uma referência distante. Quase ninguém sabe quem foi e não existe um acervo municipal e suas imagens desapareceram das igrejas locais.

Cidade de Piranga

Em 1966, sumiu o mais importante elo entre o escultor e sua cidade: a igreja matriz da cidade, cenário de sua obra mestra, foi dinamitada para dar lugar a uma nova matriz, um “monstruoso disco voador de concreto”.

A Igreja de Bom Jesus de Matozinhos tombada pelo Iphan em 1998, é palco anualmente de uma grande romaria. A romaria acontece há mais de 215 anos foi autorizada pelo Papa pio VI em 1786. A devoção a Bom Jesus de Matozinhos tem origem a uma espécie de lenda local. Conta-se que nos idos de 1780 começou a ocorrer um estranho fenômeno no lugarejo: a imagem do Cristo crucificado da igrejinha central do distrito desaparecia misteriosamente e reaparecia no matagal que havia no alto do morro, a 1 km dali.

Recuperavam a imagem e repunham-na no lugar, mas ela tornava a aparecer no mesmo lugar. Os habitantes e o padre tomaram aquilo como um sinale resolveram construir uma igreja no local onde a imagem aparecia. Curioso é que a imagem ainda está lá, num compartimento atrás do altar, de costas para outro Cristo crucificado e carrega consigo uma marca dos artistas “politizados” do barroco: além de crucificado, o Cristo tem a marca da forca no pescoço (referências segundo dizem, a Tiradentes e sua causa libertária).

Obra do Mestre de Piranga

Suas obras podem ser encontradas em coleções particulares de Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Museus de Nova Iorque e Rio de Janeiro, na Igreja de Nossa Senhora do Rosário em Piranga-MG, Igreja de Bom Jesus de Matosinhos (tombada pelo Iphan, 1998) em Santo Antônio do Pirapetinga e em diversos arraiais do ciclo do ouro.

Segundo historiadores e colecionadores a divulgação do artista Mestre de Piranga e suas obras é deficitária devido à falta estudos e referências acadêmicas. Essa falta não tira a importância de suas obras, mas as tornam silenciosas.

Referência Bibliográfica

MEDEIROS, Jotabê; PEREIRA, Juvenal. O gênio desconhecido do barroco. Revista Carta Capital, São Paulo, n.180. p.14-17. mar. 2002.

Um abraço e até o próximo post!

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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

BREVE HISTÓRIA DOS JOGOS OLÍMPICOS DA ANTIGUIDADE

A história das competições esportivas vem de vários séculos. Os principais exemplos são encontrados na Grécia Antiga. Em cidades relativamente importantes, tais como Corinto, Delfos ou Argólida, eram organizados eventos atléticos em homenagem aos deuses.

Gravura dos jogos olímpicos da antiguidade

No entanto, os mais importantes eram os jogos celebrados em homenagem a Zeus na cidade sagrada de Olímpia (um pequeno povoado na península de Peloponeso, a cerca de 300km de Atenas) a cada quatro anos durante o verão.

Assim, os Jogos Olímpicos nasceram no ano 776 a.C onde sempre reinava a paz. Por mais que existisse relativa guerra no momento das disputas, uma trégua era imposta entre os atletas para não interferir na continuidade da Olimpíada. Em seus primeiros anos, o evento tinha apenas uma competição: uma corrida de aproximadamente 190m.

Com o passar do tempo, os gregos decidiram acrescentar mais modalidades, como as corridas de maior distância, a luta e o pentatlo (nesta última eram combinados o salto em distância, o lançamento de dardo e arremesso de disco, assim como corridas de velocidade e luta). Pessoas de todas as partes do território grego vinham assistir às competições, e se instalavam em barracas de campo nas redondezas de Olímpia e da cidade vizinha de Élide.

Estatua de um atleta olímpico da antiguidade

Entre os espectadores, sempre se podia encontrar políticos e autoridades de alto escalão (que aproveitavam a ocasião para produzir alianças entre as cidades), comerciantes que vendiam de tudo, ou mesmo artistas e poetas que atuavam em espaços públicos.

Nos Jogos antigos participavam somente homens livres que falavam grego, e às mulheres era proibido intervir. Essa restrição chegava a tal ponto, que aquelas que se atrevessem a burlar a regulamentação poderiam ser castigadas inclusive com a morte. No entanto, havia competições de corrida para mulheres: as mais famosas eram as realizadas no Estádio Olímpico em homenagem à deusa Hera.

Curiosamente, medalhas não eram entregues; somente era colocada na cabeça do vencedor uma guirlanda feita com ramos de oliveira. Em todo o caso, aos vencedores era concedida a honra de colocar uma estátua com sua imagem na mítica Olímpia. Também eram recompensados com dinheiro, presentes, ou isenção de impostos, entre muitos outros benefícios.

Gravura da Premiação

Enquanto isso, os participantes que promoviam fraudes eram castigados com a cobrança de uma multa que servia para financiar estátuas de bronze em homenagem a Zeus, colocadas no caminho do Estádio Olímpico, e nas quais se escrevia o nome do enganador e sua ofensa.

Dentro das principais características dessas Olimpíadas, verifica-se que, antes do início das competições, os atletas tinham a obrigação de sacrificar um porco em homenagem aos deuses. Da mesma forma, a grande maioria dos participantes disputava provas sem roupa, como forma de mostrar, com orgulho, sua condição física.

Um dos espetáculos mais célebres dos Jogos foram as corridas de biga, isto é, de carroças puxadas por cavalos. Mas o mais violento dos espetáculos esportivos nas Olimpíadas da Antigüidade era, sem dúvida, o pancrácio. Esta era uma luta entre dois atletas que beirava a morte; combinava o boxe e a luta livre. Neste evento, tudo era permitido, exceto romper dedos, arrancar olhos e morder.

Representação do Pancrácio

Mas os Jogos Olímpicos não eram somente um evento atlético. Também favoreciam o desenvolvimento cultural ao amparar a criação humana em diversos campos do conhecimento, como na arquitetura, matemática e poesia. Por exemplo, destaca-se o Templo de Zeus em Olímpia, desenhado por Libon.

Nesta edificação foi usado um sistema de proporções geométricas baseado nos planejamentos de Euclides. Na escultura, os Jogos inspiraram o famoso "Discóbolo", de Mirón. No que diz respeito à poesia, conhece-se uma variedade de odes (como as "Olímpicas", por exemplo), escritas por poetas famosos, como Píndaro e Simônides, para imortalizar os triunfos dos atletas nas competições.

A última Olimpíada da Antigüidade, com uma vasta lista de campeões, nomes e proezas, foi a do ano 394 d.C. Proibidos pelo imperador romano Teodósio I, por considerá-los um espetáculo pagão, os Jogos desapareceriam por muitos anos. No entanto, 1.503 anos depois, graças ao esforço de um idealista francês e de um grupo de sonhadores, os Jogos voltariam a se realizar. Atenas volta a sediar a primeira olimpíada da era moderna em 1896.

Delegações desfilando em Atenas na primeira olimpíada da era moderna

Atenas desejava realizar a Olimpíada do centenário dos Jogos da Era Moderna, em 1996. Sem apresentar as condições exigidas pelo COI (Comitê Olímpico Internacional), a capital da Grécia foi preterida por Atlanta, nos Estados Unidos. Disposta a resgatar o evento, Atenas se preparou melhor e acabou finalmente escolhida como sede das Olimpíadas de 2004.

Para voltar a ser sede do mais importante evento poliesportivo do mundo, o governo grego investiu 4,6 bilhões de euros na construção de novos estádios e ginásios, além da criação de toda a infra-estrutura necessária para acomodar atletas, imprensa e visitantes.

Logo dos jogos olimpicos de 2004

A cidade ganhou uma Vila Olímpica, hotéis, novos sistemas de transporte e segurança, além de um novo aeroporto internacional. Os Jogos foi até a sua época os mais inclusivos de todos os tempos: os mais de 10 mil atletas inscritos representam 201 países, incluindo o Afeganistão, suspenso pelo COI na última edição dos Jogos, e o Iraque, que até o início de 2004 corria o risco de ficar fora do evento.

Outra preocupação do governo local e dos organizadores do evento foi com o meio ambiente. Cerca de 290 mil árvores foram plantadas em Atenas, com concentração nas redondezas de todas as sedes olímpicas. Além disso, foram elaborados programas de reciclagem e de uso de transporte ecológico. As obras também foram estruturadas para respeitarem os sítios arqueológicos presentes no país, preservando a história de Atenas e da região.

Medalha Olímpica de Ouro

Comparar as Olimpíadas do século 21 aos Jogos da Grécia Antiga pode parecer um exagero, principalmente quando o assunto é organização, profissionalismo e tecnologia. Mas se falarmos da essência olímpica, que é agradar aos deuses pela pratica dos esportes, vemos que perdemos um ponto fundamental que da significado as olimpíadas, porque hoje as olimpíadas possuem um caráter único e exclusivamente comercial com patrocínios bilionários, com pouca ou quase nenhuma informação histórica sobre o significado da olimpíada em seu formato original, transmitindo quase nenhum fator edificante aos seus espectadores que assistem como evento de competição e não confraternização dos povos.

Um abraço e até o próximo post!

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PANORAMA HISTÓRICO-CULTURAL DO CIRCUITO TURÍSTICO DO OURO

Ronald Fernandes*

Minas Gerais começa a explorar, dentro do cenário nacional turístico, seus variados circuitos históricos e naturais. Com uma iniciativa do próprio governo e demais prefeituras que buscam uma divulgação do turismo no estado, através da promoção de atrativos diversos. Tal fato alavanca Minas, demasiadamente, neste setor, que até então estava adormecido.

Praça Minas Gerais, em Mariana. À esquerda, a Igreja de São Francisco de Assis; à direita, a Igreja de Nossa Senhora do Carmo

Um circuito que merece um destaque totalmente cultural é o do Ouro, dono de um fabuloso acervo histórico e artístico, este circuito possui dois patrimônios da humanidade: Ouro Preto e o Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas. Mas, ao todo, são dezenove os municípios que o constituem: Barão de Cocais, Bom Jesus do Amparo, Caeté, Catas Altas, Congonhas, Itabira, Itabirito, Mariana, Nova Era, Nova Lima, Ouro Branco, Ouro Preto, Piranga, Raposos, Rio Acima, Sabará, Santa Bárbara e São Gonçalo do Rio Abaixo.

A história da região começa com o descobrimento do ouro no final do século XVII, o que deu origem a muitos povoados. Alguns se desenvolveram e foram elevados a vilas, que hoje são as nossas conhecidas cidades históricas. O circuito conta ainda com uma memória histórica gigantesca, pois foi cenário de grandes movimentos no período da mineração, como: a guerra dos emboabas, a sedição de Vila Rica e a inconfidência mineira.

Pintura representando a Guerra dos Emboabas

Também foi palco de inúmeros trabalhos artísticos realizados por Antônio Francisco Lisboa - o Aleijadinho, Manuel da Costa Athaíde, Francisco Viera Servas, Francisco Xavier de Brito, Francisco Lima Cerqueira e José Gervásio de Souza; sem contar com suas construções antigas, bem conservadas que permite uma viagem pelo tempo, como os imponentes sobrados, casas de câmaras e cadeias, chafarizes, singelas capelas e magníficas igrejas. Outros espetaculares monumentos atestam a riqueza histórica e artística dos municípios que integram este circuito.

A igreja de São Francisco de Assis, em Ouro Preto, com obras-primas do Mestre Antônio Francisco Lisboa e do Mestre Athaíde simboliza toda a criatividade e qualidade da arte colonial mineira. Em Sabará, está outra jóia da decoração barroca mineira: a excepcional capela de Nossa Senhora do Ó. A Catedral da Sé, em Mariana, também possui uma das mais preciosas peças de Minas Gerais: um órgão Arp Schnitger, construído em 1701.

Órgão Arp Schnitger

A última grande obra do período da mineração do ouro encontra-se em Congonhas: o Santuário de Bom Jesus de Matosinhos, com os magníficos passos da paixão e o esplendor das esculturas dos profetas, executados por Aleijadinho.

Dentro do acervo histórico e artístico é possível também a realização de visitas em variados museus, que guardam objetos notáveis e retratam documentos de grande valor. Entre eles, destacam-se: Museu da Inconfidência, Museu do Oratório e Museu de Arte Sacra, em Ouro Preto; Museu do Ouro, em Sabará; Museu do Escravo, em Belo Vale; e Museu de Arte Sacra, em Mariana.

Museu do Escravo e seu interior – Belo Vale

Atualmente, temos em nosso plano turístico um grave dilema em torno do Santuário de Bom Jesus do Matosinhos, em Congonhas, que é alvo de uma futura construção de museu. Tal projeto tem enfrentado dificuldades em sua implantação, pois a população se manifesta contrária à forma como o museu será construído. Crises que são sempre presentes dentro do planejamento turístico, que não viabiliza um trabalho junto da comunidade.

Geograficamente, está situado em uma área que é denominada Quadrilátero Ferrífero, onde se encontram riquíssimas jazidas minerais, sendo hoje uma importante parcela da economia do Estado; contando com atividade extrativista, grandes usinas siderúrgicas, além de três importantes minas de ouro. Dentre as atuais riquezas minerais, está o topázio imperial.

Dobrão, maior moeda portuguesa corrente, cunhada em Minas Gerais entre 1724 e 1727

Assim, em decorrência da história da mineração do ouro, os diversos municípios deste circuito guardam verdadeiras relíquias culturais. São museus, igrejas, centros culturais, sítios arqueológicos, fazendas, santuários, casarões, memoriais, trechos da Estrada Real e ricas manifestações da cultura popular; além de abrigar um rico patrimônio natural: cachoeiras, matas e inspiradoras paisagens serranas complementam e emolduram a beleza dessa região.

São destaques: o Parque Estadual do Itacolomi e o Parque Natural do Caraça. Este último, além de ser uma preciosa reserva pertencente ao Santuário do Caraça, é também um dos maiores bens culturais do Estado.

Parque Estadual do Itacolomi

Um último fator que deve ser realçado dentro deste contexto é a criação dos circuitos mineiros e a forma como tem sido realizada, pois promoção de turismo exige planejamento prévio, que envolve desde pesquisas de infra-estrutura local até conscientização da população.

Resta saber se o que vem sendo proposto nesta criação de circuitos está sendo efetivado de maneira ética e sustentável, com a participação da comunidade em todos os aspectos; respeitando assim sua memória e tradição.

Notas:

* Ronald Fernandes é Bacharel em Turismo pelo Centro Universitário Newton Paiva (MG).

Contato: ronaldturismo@yahoo.com.br

Um abraço e até o próximo post!

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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

PROGRAMA DE ROTEIROS TURÍSTICOS

Para reestruturação e diversificação da oferta brasileira o PNT propõe o desenvolvimento do programa de roteiros turísticos.

Quais São os Objetivos Desse Programa?

Os principais objetivos são, buscar alternativas para a associação de um conjunto de municípios situados em uma mesma região. Com afinidades culturais, sócias e econômicas, para organizar e desenvolver a atividade turística regional de forma sustentável, através da integração contínua dos municípios.

Consolidando uma atividade regional e criando implementos de forma racional a fim de promover a junção de diversos atrativos em uma determinada região, utilizando parcerias entre o poder publico a iniciativa privada e a população local para a consolidação deste programa, o que poderá estender o período de visitas do turista e conseqüentemente aumentar a geração de emprego e renda nas localidades inseridas nesses roteiros.

Quais São os Resultados Obtidos até o Momento?

Fazendo uma reflexão ampla podemos dizer que alguns roteiros dos que iniciaram o processo de organização regional não levaram adiante as ações. Outros caminham lentamente, mas aos poucos estão executando algumas atividades conjuntas que mais cedo ou mais tarde irão consolidar a regionalização. Já outros estão funcionando a todo vapor, possuindo suas respectivas sedes, promovendo eventos, participam de feiras, o que de certa forma serve de exemplo para os outros.

Dentro desta realidade são vários os fatores que influenciaram na paralisação ou continuidade desses roteiros sendo que a localização geográfica, a postura do gestor, a inserção das comunidades locais, o interesse político, são alguns desses fatores, que poderiam ter um estudo mais aprofundado sobre as causas que levam certas regiões a obterem sucesso e outras não.

No mais podemos perceber que embora algumas regiões tenham adormecido, a semente foi plantada e futuramente poderá render bons frutos.

Um abraço e até o próximo post!

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terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

INFORMAÇÕES TURÍSTICAS – SÃO JOÃO DEL-REY

A partir de agora iniciarei uma serie de publicações, com informações turísticas de algumas cidades do Brasil e do mundo.

São João Del-Rey será a cidade que ira inaugurar esse tópico.

As informações desses artigos serão breves e sucintas, diferente de roteiro, onde exploro com mais riqueza de detalhes, cada destino e atrativo.

Opiniões sobre as próximas cidades são bem vindas.

Espero que gostem da novidade.

São João Del-Rey

Informações Turísticas

Nome do Município: São João del-Rei

Estado: Minas Gerais

Região: Sudeste

Distância da capital: 181 Km

DDD: 32

Endereço da Prefeitura: Rua Ministro Gabriel Passos, 199 - CEP.: 36.307-330 - Tel.: 3373 4100

Fax.: 3371 3330

População: Sede da cidade 82.000 / Total do município 110.000

Ponte da Cadeia

Meios de acesso ao Município

Rodoviário:

De Belo Horizonte a São João del-Rei, são 181 quilômetros de distância. O motorista deve pegar a BR 040 e seguir até Congonhas do Campo, para depois tomar BR 383, trevo à sua direita. A partir daí, são 100 Km.

De São Paulo a São João del-Rei, são 490 quilômetros de distância. O motorista deve pegar a Fernão Dias e seguir até o trevo de Lavras, para depois tomar a BR 265.

Do Rio de Janeiro a São João del-Rei, são 370 quilômetros de distância. O motorista deve pegar a BR 040 até Barbacena, para depois tomar a BR 265.

Aéreo:

Possui um aeroporto com pista de 1.140m.

Tipo de pavimentação: asfaltado

Aeronave que opera: pequeno e médio porte

Atividades Turísticas Exploradas no Município

  1. Turismo Religioso
  2. Turismo de Eventos
  3. Turismo Cultural
  4. Ecoturismo

Igreja das Mercês

Monumentos:

O paço Municipal (Prefeitura), Casa do Barão de Itambé, os solares do Barão de São João del-Rei, da Baronesa de Itaverava, dos Lustosas, dos Neves, o casario da rua Santo Antônio e muitos outros. O solar de João Antônio da Silva Mourão, onde está instalado o museu do IPHAN, Teatro Municipal.

O pelourinho, o chafariz da Legalidade, as pontes da Cadeia e do Rosário, o monumento ao Cristo Redentor.

Templos:

Além dos 5 passos da Via Sacra há em São João del-Rei as seguintes igrejas e capelas: Catedral Basílica do Pilar, Rosário, Carmo, Mercês, Bonfim, São Francisco de Assis, Senhor dos Montes, Santo Antônio e Nossa Senhora da Piedade do Bom Despacho (antiga capela da Cadeia).

Igreja Matriz ao Cair da Tarde

Museus:

  1. Museu Tomé Portes del Rei (Casa de Bárbara Eliodora)
  2. Memorial Presidente Tancredo Neves
  3. Museu de Arte Sacra
  4. Museu Regional
  5. Museu dos Ex-Combatentes
  6. Museu Ferroviário
  7. Museu John Somers

Passeios:

Parque Ecológico Municipal da Serra do Lenheiro, Pinturas Rupestres e canal dos ingleses ( Serra do Lenheiro), Serra de Tiradentes, Casa de Pedra, Cristo Redentor, Beta de Ouro Tancredo Neves, Fazenda do Pombal, Águas Santas, Cachoeira do Urubu, Cachoeira do Catorze.

Ruinas da Fazenda Pombal

Curiosidades da Cidade

Maria Fumaça, Jornal do Poste, Linguagem dos Sinos, Orquestras Bicentenárias (Lira - Ribeiro Bastos), Lendas da Cidade, Encomendações de Almas, Betas de ouro, Biblioteca Pública, Serenatas - Cartuchos de Amêndoas, Os Sete Passinhos.

Um abraço e até o próximo post!

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PLANEJAMENTO REGIONAL E TURISMO

Situação Atual de Microrregiões Econômicas em Função da Globalização

  • Falta de incentivo ao desenvolvimento de economias locais;
  • Falta de novas oportunidades de trabalho;
  • Desemprego estrutural;
  • Falta de investimento em novas tecnologias e qualificação profissional;
  • Busca por novas oportunidades de emprego em grandes centros urbanos;
  • Migração da população economicamente ativa da base local;
  • Desestruturação social;
  • Perda de alto estima e identidade cultural em pequenas comunidades.

Planejamento regional

Desenvolvimento Regional Através do Turismo: O Caso do Ceará

Busca por alternativas de desenvolvimento regional através da regionalização da atividade turística no Estado; Estabelecendo 03 critérios básicos para a divisão regional:

Jericoacoara Ceará / Brasil

A – Integração Econômica

Identificação da vocação econômica da microrregião e sua integração com a atividade turística (agricultura, indústria, comércio, serviços, etc).

B – Solidariedade Social

As comunidades envolvidas é que definirão qual a vocação turística a ser desenvolvida, envolvendo-se com todo o processo de planejamento de atrativos, equipamentos e serviços.

C – Definição de Centro Urbano

Escolha de um centro urbano forte em equipamentos e serviços, servindo de pólo receptor e distribuidor do fluxo turístico na microrregião.

Resultados Esperados - Retomada do Crescimento Econômico no Estado;

  • Desenvolvimento de cada parte contribuindo para o desenvolvimento do todo;
  • Fixação da população microrregional em seu local de origem;
  • Fortalecimento de economias locais;
  • Recuperação da auto estima social;
  • Incentivo e valorização da cultura regional;
  • Desenvolvimento do turismo no Estado, através de sua interiorização;
  • Distribuição equilibrada do fluxo turístico.

Um abraço e até o próximo post!

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sábado, 13 de fevereiro de 2010

GLOBALIZAÇÃO, TURISMO E SEUS EFEITOS NO MEIO AMBIENTE – PARTE FINAL

Ambiente e Turismo: Uma Relação Tensa

“O processo de urbanização crescente, o sistema industrial e pós-industrial da sociedade contemporânea implicou no aparecimento e no desenvolvimento do lazer como necessidade a ser satisfeita. No momento atual com a globalização, essa busca desenfreada pelo preenchimento do tempo livre com o lazer é mais visível”.

Turismo como lazer

O lazer, como necessidade numa sociedade que precisa estar em equilíbrio e gerar novas fontes econômicas ganha um ritmo acelerado. O turismo é uma das formas de lazer, procurando organizar e planejar o tempo livre da sociedade atual. O turismo passa a exigir novos modelos de espaços que correspondem aos novos tipos de relações no nível humano, além de contribuir para a circulação de capital, melhoria econômica de uma região e o consumo dos lugares e do meio ambiente.

O turismo na definição de Maria Ângela Bissoli “é entendido como o conjunto de recursos capazes de satisfazer as aspirações mais diversas, que incitam o indivíduo a deslocar-se do seu universo cotidiano, e assim caracteriza-se por ser uma atividade essencialmente ligada à utilização do tempo livre”.

Lazer, descanso e tempo livre

A atividade turística surge como resposta a uma necessidade de descompressão, resultante da própria dinâmica do sistema da sociedade industrial. O processo de urbanização ao mesmo tempo que cria a necessidade do lazer, não consegue atender à população. A necessidade da atividade turística aumenta com as sociedades pós-industriais ou pós-modernas.

Para o turismólogo Luís Gonzaga Godoi Trigo “nas sociedade pós-industriais o turismo insere-se em um contexto maior do lazer e entretenimento, que igualmente tem consumido bilhões de dólares em investimentos e outros bilhões de dólares de lucro”.

A ampliação do tempo livre de que passaram a dispor as pessoas é uma das causas do crescente desenvolvimento do turismo. O tempo livre tende a aumentar com o passar dos anos, isso significa que as atividades ligadas à utilização desse tempo livre aumentam substancialmente. Dentre tais atividades destaca-se o turismo.

Turistas em visita a torre de Pisa / Itália

O presente trabalho, tenta retomar a discussão da “produção” e do “consumo” do turismo, porém em tempos de globalização. Procura também ressaltar a importância do estudo dos processos mentais relativos à percepção ambiental, como sendo fundamental para compreendermos melhor as inter-relações entre homem e meio ambiente, seja ele natural ou construído. Essas inter-relações são visíveis no ambiente, gerando conseqüências que afetarão a atividade do Turismo.

Segundo Del Rio e Oliveira, notamos que as manifestações mais constantes de insatisfação da população revelam-se, por meio de condutas agressivas em relação a elementos físicos e/ou arquitetônicos, principalmente os reconhecidos como públicos ou localizados junto a lugares públicos. Outra conduta é o desconforto psicológico de cada indivíduo.

Patrimônio público vandalizado

Essas condutas, são resultados expressos das percepções, dos processos cognitivos, julgamentos e expectativas de cada indivíduo frente ao lugar e ao meio ambiente. Devemos lidar com o conceito de percepção no sentido mais amplo possível, a exemplo do que vem sendo adotado pela maioria dos pesquisadores ambientais.

A psicologia situaria nossas preocupações dentro do escopo da cognição. Mas o que vem a ser a cognição? Para Del Rio e Oliveira a cognição é o processo mental mediante o qual, a partir do interesse e da necessidade, estruturamos e organizamos nossa interface com a realidade e o mundo, selecionando as informações percebidas, armazenado-as e conferindo-lhes significado.

Seguindo este enfoque é que pretendemos trabalhar com a cognição no turismo, tendo como meta não apenas a percepção do meio ambiente para e pelo turismo, e sim a cognição do turismo frente ao ambiente, sendo este processo muito importante para as atividades do turismo.

Estereotipo do turista

A relação do meio ambiente frente as modernas cidades e as cidades turísticas, demostram uma relação de conflitos espaciais. Essa relação extravasa a simples percepção e adentra no sistema cognitivo do turismo frente ao ambiente. As idéias de “produção” e “consumo” desencadeiam conflitos no espaço utilizado e apropriado pela atividade turística.

Milton Santos nos fala de um ambiente construído, repleto de técnica, ciência e informação. E na medida que aumenta o aparecimento desses elementos no espaço urbano, a cidade torna-se cada vez mais um meio técnico-científico-informacional. Nas palavras do autor: “o meio ambiente produzido se diferencia pela carga maior ou menor de ciência, tecnologia e informação, segundo regiões e lugares: o artifício tende a se sobrepor e substituir a natureza”.

Parques temáticos: exemplos dessa transformação do espaço

A velocidade do processo de urbanização transforma o espaço continuamente, numa relação dialética pouco entendida ainda hoje. Nessa discussão a palavra chave é a velocidade: velocidade da circulação, da informação, das pessoas, dos objetos... enfim de tudo que compõe o ambiente e em especial o ambiente urbano.

Quando a atividade turística adentra o urbano, ela reafirma a velocidade e o ambiente deixa de ser amigo e passa a ser hostil. Dessa hostilidade frente ao ambiente é que temos grande parte da nossa atividade turística sendo implantada e desenvolvida. Mas como podemos melhorar essa relação interna do ambiente construído pela atividade turística? O planejamento ainda é um bom caminho? Acreditando nessa alternativa é que tecemos a seguir algumas questões pertinentes ao planejamento do ambiente turístico.

Ambiente Turístico e o Uso das Escalas no Planejamento

Uma questão importante e quem sabe a mais preponderante para o planejamento do ambiente turístico é relacionada ao entendimento da noção de escala, sendo necessária a análise segundo aquilo que compete a cada instância.

O planejamento é fundamental para uma atividade sustentavel

O entendimento das diferentes escalas nos possibilitará um melhor (re)dimensionamento de nossas atividade de planejamento voltado para intervenções no campo do turismo.

A análise  escalar geral deve se ocupar daquilo que homogeneiza os países, a economia, estabelecendo uma relação de dependência entre os mesmos. Essa escala muitas vezes é regulada e influenciada pelas resoluções da Organização Mundial do Turismo (OMT).

A escala nacional preocupar-se-á das novas conjunturas apresentadas pela economia interna do país e sua repercussão para a sociedade e para o espaço. Nessa escala de planejamento, vemos o papel crucial da Embratur (Empresa Brasileira de Desenvolvimento do Turismo), responsável por grande parte de nossa política nacional de turismo. Os profissionais na área de turismo devem acompanhar e também propor idéias dessa escala de planejamento.

As escalas regional e  local, estão mais voltadas a encontrar contradições internas a um territórioou lugar, provenientes do nível de desenvolvimento econômico de cada região e interesses direcionados. É justamente nessas escalas onde o papel do planejador turístico é fundamental.

Nesse momento o planejamento é um instrumento inigualável para efetivar políticas e economias direcionadas ao turismo para o desenvolvimento regional e local.

Para melhor compreensão utilizaremos o Estado do Ceará como exemplo de “polo de desenvolvimento turístico do nordeste”, característico dessa fase histórica. No Estado com as políticas direcionadas ao turismo do Prodetur-NE (Programa de Ação para o Desenvolvimento do Turismo no Nordeste), construiu-se uma organização que visasse a maximização dos lucros para a atividade turística: novo aeroporto internacional, rodovias, rede hoteleira, incremento do comércio, entre outros. Essa organização, montada, que tem possibilitado a especialização de suas atividades relacionadas ao turismo atendendo os interesses dos capitais mundiais e mais ainda o sonho de consumo da “população mundializada”, carente de preencher seus tempos livres. O Prodetur-NE é ricamente analisado nos trabalhos de Luzia Neide M. T. Coriolano e Ireleno Porto Benevides.

Essa nova lógica do desenvolvimento e planejamento do ambiente turístico também impõe uma nova forma de entendimento das diferenciações regionais, em que a partir disso a regiãotorna-se novamente objeto de estudo das desigualdades sociais, provocadas por essa diferenciação de desenvolvimento tecnológico.

Considerações Finais

Vemos a queda das fronteiras nacionais causando a homogeneização dos lugares, a vitória da velocidade do tempo abarcando o espaço, o papel crescente do Estado no (re)equilíbrio nacional visto as desigualdades geradas no seio nacional, o papel dos turismólogos e demais profissionais que estão lidando com a atividade turística, deveria centrar suas preocupações no planejamento tanto no nível local, como regional e nacional.

Tensão entre as pessoas em um mundo comum

O homem em pleno processo de globalização não mais se reconhece em seu lugar, Será que essa globalização ou melhor mundialização, que também é dos costumes, das culturas, da língua, do lugar, da natureza, não nos tira a noção do local, imprimindo uma global? Caso isso ocorra como fica o turismo que necessita do local para efetivar sua atividade?

As novas técnicas utilizadas para transpor barreiras físicas e sociais aniquila essa identidade com o lugar, “agora que todas as condições de vida, profundamente enraizadas, estão sendo destruídas, aumenta exponencialmente a tensão entre cultura objetiva e subjetiva e, do mesmo modo, se multiplicam os equívocos de nossa percepção, de nossa definição e de nossa relação com o Meio”.

O processo de globalização exige uma velocidade de transformação dos lugares que afeta diretamente o ambiente. O turismo muitas vezes afirma o processo de globalização dos lugares sem refletir essa ação e esquece que necessita da singularidade do ambiente para efetivar plena-mente suas atividades.

Referência Bibliográfica

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Um abraço e até o próximo post!

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GLOBALIZAÇÃO, TURISMO E SEUS EFEITOS NO MEIO AMBIENTE – 1º PARTE

*Clézio Santos

Panorama

No Turismo efeitos do processo de globalização são cada vez mais sentidos em diferentes setores, principalmente no meio ambiente. A abertura das fronteiras políticas e ideológicas e os avanços das tecnologias de comunicação, além de outros fatores, vem contribuindo para a transformação do meio ambiente e fortalecendo o processo de globalização

Globalização e seus efeitos no meio ambiente

Introdução

Procuramos nesse texto resgatar alguns temas e conceitos que permeiam o pensamento atual entre a relação turismo, globalização e meio ambiente, trabalhando: o espaço e suas formas de organização; o conceito de meio ambiente, chave para o turismo; e o processo de globalização e os impactos da inserção de suas novas técnicas no espaço turístico.

Destacamos as idéias de Milton Santos como embasadora dessa discussão. A escolha por esse autor se faz premente pela pouca utilização das idéias desse geógrafo no entendimento do espaço turístico e sua relação com o meio ambiente. A maioria dos autores na área de turismo e meio ambiente preferem optar por definições e teorias presas a estruturas de pensamentos mais lineares e sistemáticos. O uso das idéias desse autor enriquece a discussão proposta – turismo em tempos de globalização: repensando o ambiente.

É necessário repensar o ambiente

O texto é dividido em três partes, na primeira apresentamos uma discussão sobre a relação turismo, globalização e meio ambiente. Nessa parte do texto enfatizamos como o meio ambiente é visto no contexto da globalização, fenômeno em processo na sociedade atual e o papel do turismo como agente transformador.

Na segunda parte, apresentamos um dos grandes impactos causados pela globalização no ambiente, desencadeando inúmeros conflitos a medida que a sociedade industrial e pós-industrial reafirma a necessidade do equilíbrio e de criar novas fontes econômicas e na última, tecemos e reafirmamos um caminho interessante para o turismo, o planejamento turístico preocupado com a noção escalar.

Turismo, Globalização e Meio Ambiente

Devemos fazer em princípio algumas considerações a cerca do conceito de meio ambiente e de seu significado com o advento da globalização, isso significa pensar de que forma o meio ambiente tem se transformado neste estágio da história humana. Reforçamos a relevância do meio ambiente para entender a atividade turística, afinal grande parte dessa atividade tem como base a organização, o planejamento e o consumo do meio ambiente.

Transformação do Meio Ambiente

Mas, anteriormente a isso, precisamos compreender o que é o meio ambiente na atualidade. Para Milton Santos, que não trabalha diretamente com o conceito de meio ambiente e sim de natureza, o autor define: “Referimo-nos ao que podemos chamar de Sistemas da Natureza sucessivos, onde esta é continente e conteúdo do Homem, incluindo os objetos, as ações, as crenças, os desejos, a realidade esmagadora e as perspectivas”. Dessa forma, podemos perceber a amplitude desse conceito e de sua difícil simplificação para a utilização no turismo.

Ainda segundo Milton Santos, nesse período histórico,  podemos falar de uma Natureza Social, racionalizada pelo homem, instrumentalizada pela razão e portanto, sobrenatural (não-natural). Essa idéia de Milton, nos remete a uma leitura do meio ambiente, muito mais direcionada ao ambiente do que o meio em si, os aspectos humanos ganham destaque em relação aos aspectos físicos. O meio ambiente não se explica apenas pela organização das forças físicas da natureza e sim a interação com o homem.

Interação do homem natureza e que explica essa visão

Mas, essa relação que se apresenta hoje tecnificada, ao longo da história já se apresentou diferentemente: é o que o Milton Santos chama de natureza amiga, havendo uma perfeita relação entre os elementos da natureza e a ação humana, o homem utilizava-se da natureza para sua sobrevivência sem agredi-la.

Atualmente, a mundialização unifica também a natureza mundial, trazendo novos traços a essa natureza: ela é tecnificada, natureza hostil nas palavras de Milton. Ela já é dominada por certos grupos sociais que imprimem uma nova relação, não mais de complementaridade, mas sim de exploração. A atividade turística esta presa ao processo de mundialização, portanto ela utiliza-se constantemente da natureza hostil ou mesmo do ambiente hostil, para explorá-lo e consumi-lo.

Consumo da paisagem pelo turismo

Essa relação está permeada hoje com o discurso do meio ambiente, um discurso direcionado para interesses próprios e muitas vezes mundializados. A mídia, nesse caso, possui uma papel de destaque, dando credibilidade a esse discurso falho. Milton Santos ainda  nos fala de uma natureza espetáculo,  inventada portanto pelos instrumentos de comunicação, e essa natureza tende progressivamente a sobressair-se da natureza histórica, produto da ação humana ao longo do tempo.

É justamente utilizando-se dessa natureza espetáculo que grande parte do discurso e prática do turismo caminha. Isso é preocupante pois o ambiente espetáculo esconde o ambiente histórico, esse processo acaba por transmitir uma realidade falsa e comprometedora para a atividade do turismo que queira ter por base o espaço local.

Por trás da bela paisagem a degradação social e ambiental

Outro ponto é a velocidade com que as transformações no sentido da homogeneização dos lugares tem se dado em nossa época. Porém mesmo com tamanha velocidade tudo que esse novo processo globalizante alcançou foi uma homogeneização fragmentária, dominada pelos grandes capitais e movida constantemente pela competição mundial.

A globalização dessa forma tende a tornar os espaços iguais, mas que espaços? O espaço turístico? O espaço transformado pela atividade turística? Para Santos, esses espaços são selecionados, não é qualquer espaço que ganha essa conotação mundial, os “escolhidos” são os espaços da mercadoria, onde aparecem o lucro da mais-valia sob o valor do trabalho.

Seguindo mais uma vez o raciocínio de Milton Santos indagamos: o turismo produz e elege espaços da mercadoria?

Notas

* Prof. Ms. de Geografia do Centro Universitário Moura Lacerda, pós-graduando no Departamento de Geografia da FFLCH/USP e membro da diretoria da Associação dos Geógrafos Brasileiros – seção São Paulo (AGB/SP).

Um abraço e até o próximo post!

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